Yattó

Durante anos a fio, nossa única preocupação com lixo era descartar as embalagens em alguma lixeira e relaxar, pois o lixeiro passaria logo e o levaria. O que acontecia com esse lixo depois não era levado em conta, já que sustentabilidade, meio ambiente não eram necessariamente assuntos de uma conversa entre amigos e familiares - não em sua maioria.

Isso ficou realmente no passado por conta do flagrante problema mundial de produção excessiva de resíduos e o destino dado a eles. Fechar os olhos para isso deixou de ser uma opção.

Estima-se que, diariamente, sejam produzidos, no mundo, milhões de toneladas de lixo, sem tratamento adequado. Nesse cenário, logística reversa tem se tornado um termo familiar aos nossos ouvidos. Isso é o que faz a Residuall, startup que oferece solução de logística reversa para empresas, e que hoje se chama Yattó.

Seu fundador, Luiz Grilo, foi encorajado a encontrar uma solução para a coleta de lixo da Universidade, em um projeto de iniciação científica proposto pela própria instituição. Do projeto, nasceu a startup.
INSPIRAÇÃO PARA SER QUEM É

       Cada um de nós carrega, no mais íntimo, uma lembrança de alguém muito especial, que funciona como uma espécie de bússola na nossa vida. Alguns encontram essa pessoa ao longo da vida, depois de adultos, outros a trazem da infância.        

A rotina de uma vida simples, de pegar a enxada, trabalhar o solo, seja dia de sol ou de chuva, cuidando da família, fazendo de tudo para não deixar faltar nada em casa, era só um mecanismo diário de quem já sabia que “vaca não dá leite”, que é necessário ir até ela e fazer a ordenha. Estamos falando do avô de Luiz Grilo, sua inspiração, que, com sua rotina, marcou profundamente a vida dele quando era apenas um menino. As ações do avô falaram mais alto do que qualquer palavra que ele pudesse proferir para o garoto.
Eu me inspirei no meu avô, que trabalhava na roça, deu formação aos filhos, sempre correu atrás. Nós que fazemos nosso dia acontecer.
       Hoje, Luiz passa suas horas fazendo seu dia acontecer, como fazia seu avô. Isso começou cedo. Por conta desse modo de pensar, ganhar um palito de picolé premiado, para ele, além de curtir o prêmio (uma câmera fotográfica), como qualquer criança faria, foi o embrião do que seria sua vida profissional mais tarde. Ele viu, nessa circunstância, uma oportunidade de conseguir algo maior; vendeu a câmera e comprou um bezerro, que, depois de adulto, foi vendido, dando lugar a um piano. O instrumento musical foi, aos 14 anos de idade,  sua primeira fonte de renda, pois tocava em casamentos. Esse foi o início de uma vida de muitos sucessos e fracassos profissionais, que renderam, a ele, experiências valiosas do que pode ou não dar certo. Essa experiência foi importante para o desenvolvimento da Yattó.
QUANDO O NÃO É SIM

Na UFMG, Luiz foi desafiado, em um programa de iniciação científica, a solucionar um problema de coleta de lixo na própria Universidade. Nesse momento, decidiu que sua melhor aliada para dar fim a esse problema seria a tecnologia.

Havia muito resíduo acumulado nas lixeiras na universidade que não era coletado. Como fazia parte da rotina, isso incomodava bastante. [...] A solução era basicamente um projeto de estruturação de um hardware que identificava quando a lixeira precisava de coleta, para otimizar as coletas de lixo na faculdade.

Como acontece no início de carreira de muitos grandes empreendedores, Luiz apresentou o seu projeto para a banca e recebeu um sonoro “não”, o que não foi motivo para cruzar os braços e desistir de sua trajetória.

Como ele mesmo disse, “nós que fazemos nosso dia acontecer”. Apesar do não recebido da banca, esse momento marcou o início do que seria, futuramente, a Yattó, já que viu, no cenário, uma oportunidade para desenvolver o projeto, levando em conta os feedbacks recebidos..
INÍCIO DA RESIDUALL

A UFMG foi importante para o início da Residuall, pois oferecia um ambiente propício para seu desenvolvimento, já que Luiz tinha acesso aos laboratórios. Além da Universidade, ele buscou apoio no ecossistema empreendedor em Belo Horizonte, que oferece inúmeros programas de desenvolvimento.

Isso foi essencial, já que ele não tinha conhecimento ainda para desenvolver a startup; nunca tinha montado uma empresa de forma estruturada. Além disso, havia a questão de falta de recursos, de pessoal qualificado, enfim, não tinha muita noção de como fazer o projeto ir adiante.

Até chegar à atual configuração, o empreendimento passou por algumas transformações. No início, o foco era a produção de um sensor de lixeira, passou para comercialização de software, que era um nicho bem interessante, mas que não deu o retorno financeiro esperado. Por fim, passou a oferecer consultoria, com assessoria aliada à tecnologia.

Após muitas mudanças organizacionais, estruturais, de clientes, de tipo de serviço prestado, já tinha conhecimentos suficientes para pensar em solução de logística reversa, que é o serviço oferecido atualmente pela Residuall, que conta com 10 pessoas fazendo as engrenagens do empreendimento girar.
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Toda dedicação de Luiz rendeu algumas premiações, fruto de sua participação em algumas competições, participação em programas de aceleração e um convite para representar o Brasil na final de uma competição na Alemanha, diante de 55 países.        

Em números, a startup conseguiu um aumento de 300% em seu faturamento, em relação ao ano de 2020. Além de ter viabilizado novos projetos e estar desenvolvendo bem alguns já existentes, teve um crescimento de 50% em contratos fechados, o que o levou a uma escala de crescimento bastante importante.        

Em 2021, inaugurou um novo escritório, com pretensões de dobrar sua equipe. Em um futuro próximo, deseja expandir seus negócios, atendendo médios e pequenos fabricantes também. Ninguém poderá dizer que foi sorte.

Saiba mais sobre a Yattó

O ProLíder é uma realização do Instituto Four.