PAGODE POR ELAS

Mulher no pagode, só em letras de músicas! Não era comum, e nem coisa de “mulher direita”. Como um gênero musical que teve origem entre os escravos, não é de se espantar que o pagode tenha sofrido discriminação. Além de ser um gênero musical que demorou bastante para ser aceito e se disseminado, ainda não é muito comum ter mulheres à frente de grupos. Ainda é um meio em que as mulheres estão garimpando seu espaço.

O Pagode por Elas vem para sanar essa dor, oferecendo à mulher o seu palco para ser protagonista na história da música brasileira. O empreendimento tem como objetivo ser um hub de entretenimento, divulgação e educação de artistas para potencializar suas carreiras e viabilizar um pagode baiano com maior representatividade feminina.

O Pagode por Elas já vem sendo vetor de uma revolução para uma nova década do pagodão - dessa vez com mais mulheres. O mercado musical do pagodão baiano é extremamente consolidado não só na Bahia, mas em todo nordeste, tendo alguns músicos que atingiram grande relevância nacional. Grupos como É o Tchan!, Harmonia do Samba, Psirico e Parangolé são alguns exemplos. Mas uma característica em comum: todos esses conjuntos musicais tem como cantor protagonista pessoas do sexo masculino.

O fato de não existirem mulheres protagonizando sua trajetória nas bandas de pagodão baiano, trouxe um questionamento para Joyce Melo, que junto com outras colegas, realizaram uma pesquisa sobre a presença de mulheres vocalistas no pagode baiano. Nessa pesquisa foi identificado que não faltam cantoras desse estilo musical, mas faltam oportunidades, registros e visibilidade para que as cantoras existentes pudessem se destacar. Já foram mapeadas mais de 20 artistas que estão em busca de uma oportunidade e uma maneira de conseguir destaque no cenário musical do pagode baiano.
E é aí que entra o Pagode por Elas. Ele pretende atuar em 4 frentes principais: a primeira delas é através de um canal claro de comunicação, com redes sociais, podcasts, YouTube, site e com produção de conteúdos, como minisséries, documentários e artigos. O Pagode por Elas também atua fornecendo pacotes de serviços comunicacionais para as artistas do estilo musical que são independentes, auxiliando na promoção e gerando oportunidades. Também atua com uma linha de produtos, como peça de roupas e outros produtos licenciados, voltados para o público que acompanha o pagode baiano e para grandes empresas que buscam associar a sua marca ao movimento de mulheres na música. E, por fim, trabalha com uma frente de produção de eventos, voltados tanto para educação quanto para o entretenimento e promoção do estilo musical.

O hub nasceu a partir do desejo de Joyce e de suas sócias, Beatriz Almeida e Giovana Marques, de proporcionar, a mais mulheres, a oportunidade de se colocar em destaque no cenário musical do pagode baiano. Durante o ProLíder, Ana Luiza [b][c][d]passou a integrar o time do PPE com o mesmo objetivo.

“A minha condição me ensinou a valorizar cada chance de crescimento, fazer valer cada oportunidade de acesso e cada espaço de formação.”

Joyce é uma mulher que demonstra ter muita força de vontade. Apesar de ter tido poucas oportunidades, ela acredita que é muito importante saber aproveitar cada uma delas, e por onde ela passar, deixar as portas abertas para que mais pessoas a acompanhem. Já criou 3 empreendimentos, e acredita que tem uma vocação no empreendedorismo, sempre trazendo o seu propósito em Inovação Social.
Amante da poesia e tendo feito parte do Sarau da Onça, entendeu que um curso que valorizasse a comunicação teria mais a ver com seu propósito. Escolheu cursar Jornalismo, sendo aluna destaque e bolsista na sua faculdade. Além de se comunicar muito bem, Joyce trabalha muito para dar voz a outras pessoas, e é esse o seu principal objetivo através do Pagode Por Elas, um canal de comunicação para as mulheres do Pagode Baiano, um ritmo musical original de Salvador.

Joyce quer estruturar maneiras de escalar ainda mais os seus empreendimentos e consequentemente o impacto causado por eles, dando ainda mais voz para outras mulheres, negras, periféricas e nordestinas e que compartilham das mesmas dificuldades que ela enfrentou durante a sua trajetória.

O ProLíder é uma realização do Instituto Four.