NAIM - NÚCLEO DE ATENDIMENTO AO IMIGRANTE

Um dos maiores problemas que os refugiados encontram em seu caminho, sem sombra de dúvidas, é a falta de um olhar humanizado. Quando a gente mira o nosso olhar para o outro e não enxerga um semelhante nosso, com sonhos, capacidades e mazelas como as nossas, e perde a sensibilidade para a sua vulnerabilidade, qualquer dificuldade que um ser humano possa passar nunca será mais doída do que o sofrimento de se ver reificado pelo olhar do outro.

A causa dos refugiados é um problema que o Núcleo de Atendimento ao Imigrante enfrenta e que cresce a cada dia no Brasil. Somente entre abril de 2018 e setembro de 2019, o Centro de Referência que existia em Florianópolis atendeu 13.303 imigrantes e refugiados oriundos de 59 países, sendo a grande maioria de haitianos. Esse número não para de crescer, e diferentes pontos do Brasil apresentam números cada vez mais alarmantes dessa situação.
MOVIMENTO DE JOVENS PARA JOVENS

A solução para esse problema passa pelas mãos de uma pessoa que sofreu na pele essa dor: Ruth Anastazia, participante ProLíder 2021, foi forçada a vir do Haiti, seu país de nascimento, para o Brasil, devido às condições sociais.

A menina que sonhou ser médica cresceu, viu as barreiras quase intransponíveis para alcançar seu sonho em seu país, então saiu do Haiti, sonhando com uma vida melhor em terras brasileiras. Ao chegar em São Paulo, deparou-se com todas as dificuldades pelas quais passa um imigrante e, mesmo assim, enfrentando desafios gigantescos, conseguiu passar para a graduação em Relações Internacionais na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), curso para o qual decidiu entrar por ainda continuar desejando cuidar de pessoas, mas não mais no âmbito da saúde. As dificuldades enfrentadas por ela a fizeram desejar fazer mais pelo seu povo em terras estrangeiras.

No Sul, deparou-se com a seguinte realidade: não existe um centro que atenda refugiados no Estado de Santa Catarina. Ao chegar lá, eles não conseguem se regularizar a fim de trabalhar e se sustentar, não conseguem ter acesso a aulas de português e não têm a mínima ideia dos seus direitos assegurados na Lei de Migração e na Lei Estadual 18.018/20. Toda essa situação gera uma dificuldade enorme no processo de integração efetiva.

Por isso, Ruth criou o Núcleo de Atendimento ao Imigrante, uma organização sem fins lucrativos, composta por imigrantes e refugiados de origens diferentes, competentes e com vontade de participar dessa mudança, que atua prestando atendimento aos imigrantes e refugiados em diversos pontos:
 Mapeamento da comunidade no Estado de Santa Catarina;
 Regularização documental;
 Suporte para aulas de português;
 Acompanhamento em processos jurídicos;
 Preparação para o mercado de trabalho;
 Atividades e espaços para debate sobre assuntos sociais, econômicos, culturais e políticos; e
 Eelaboração de projetos que vão garantir a sustentabilidade dessa população.

O Naim já existe e realiza atendimentos para imigrantes que vêm de diferentes países. É o caso de Judeline Rogeline Julien (à esquerda), imigrante haitiana que chegou ao Brasil em 12/10/2021 e que teve todo o suporte do Naim e de Ruth (à direita) para ter os seus documentos legalizados, a fim de poder trabalhar.

Judeline não é a única; uma série de imigrantes (em sua maioria, haitianos) já recebeu a ajuda do Naim para que possam se regularizar, trabalhar e ter dignidade. Este é apenas o início do sonho de Ruth, que viveu na pele todos os problemas e não quer mais que nenhuma pessoa tenha que passar por eles.

O ProLíder é uma realização do Instituto Four.