Instituto Sunset

O Brasil é um país muito rico em diversidade. Toda essa riqueza tem sido explorada ao longo de vários anos, sem que os benefícios disso, de fato, retornem, em sua totalidade, para a população, de modo geral. No setor alimentício, isso é ainda mais crítico. Populações extraem produtos da natureza a valores irrisórios, os quais serão beneficiados, transformados por meio de tecnologias e transformados em produtos finais, que são vendidos por valores muitas vezes maiores do que o valor do produto bruto, e vendidos no exterior, gerando quantias exorbitantes.

As regiões subdesenvolvidas, em que vivem alguns protagonistas dessa história, passam longe dos bilhões gerados pelo agronegócio. Sem infraestrutura básica para comercialização de produtos a preço justo, extrativistas de açaí, por exemplo, em comunidades no Maranhão, tornam-se reféns de comerciantes interessados no produto, sem preocupação com o desenvolvimento comercial e social da população local.

Essa realidade é parte da história do Brasil, desde 1500. O agronegócio é a força motriz do país que, com dimensão continental, abriga uma parte considerável da população que alimenta o mundo. Com o agronegócio a todo vapor, batendo recordes de exportação em julho de 2021, a tendência é aumentar o número de empresas interessadas em investir no setor.
Como o valor da terra está nela, Ekles Arruda, Prolíder 2021, entra nesse cenário para mudar essa mentalidade, e as vidas de famílias extrativistas, valorizando a mão de obra através do pagamento de um valor justo e de capacitação da mão de obra.

O Instituto Sunset, que é “filho da terra”, tem a missão de promover o aumento de renda a maranhenses que vivem do extrativismo de açaí por meio da geração de valor no processo de colheita e despolpamento do fruto, promovendo melhorias para os trabalhadores envolvidos no processo.

O mercado de açaí tem uma cadeia de produção com muitos players envolvidos. Dentro dessa cadeia de produção, paradoxalmente, de todo o dinheiro que é movimentado, quase nada fica no início - na mão dos produtores rurais que extraem o açaí. Comunidades nativas maranhenses colhem o fruto e vendem para intermediários por um preço muito abaixo do que é vendido no mercado. Essas comunidades não têm capacidade de aumentar a produção de polpa de açaí devido à falta de condições de armazenamento e logística. Por causa disso, os açaizeiros enfrentam graves restrições socioeconômicas e falta de oportunidade de trabalho e renda, quando o período de colheita se encerra.

O Instituto Sunset pretende melhorar a qualidade de vida dessas famílias, viabilizando acesso à oportunidade de venda do açaí pelo valor de mercado, eliminando a figura do intermediário, o que contribui para a melhoria nos processos de extrativismo por meio de capacitações técnicas, treinamento e geração de valor a partir do beneficiamento do fruto, além de promoção de inclusão social em cada comunidade parceira.
DE DENTRO PRA FORA

Toda grande mudança acontece de dentro para fora. Nesse caso, não foi diferente. Estar inserido no mercado e ter um conhecimento profundo dele é a lógica de Ekles. Ele começou no outro extremo do mercado de açaí: durante toda sua vida, trabalhou no mercado financeiro, como gerente de agências bancárias. Com o dinheiro que juntou nesse período de sua vida, abriu uma franquia de açaí e, em pouco tempo, criou uma marca própria. Não demorou muito para que o seu sonho grande crescesse e ele já tivesse sete pontos de venda de açaí espalhados por São Luís do Maranhão.

Depois de se fixar no mercado com o consumidor final, ele fundou uma distribuidora de açaí para atender seus pontos de venda e os de outros concorrentes. Mas, conhecendo a fundo a forma como o mercado estava sendo construído, Ekles percebeu que o dinheiro que estava movimentando não estava ficando na mão de quem iniciava tudo aquilo. Foi com esse pensamento que ele decidiu verticalizar o resto da cadeia e criar o Instituto Sunset, para que possa, com o poder de mercado que vem adquirindo, aos poucos, eliminar intermediários da cadeia e valorizar o trabalho dos extrativistas locais por meio de justa remuneração e capacitação.

AUMENTO DA RENDA POR MEIO DA INCLUSÃO PRODUTIVA: O POVOADO KM 1700

Para provar a sua lógica, Ekles fez uma parceria com a Suzano, que instalou equipamentos de estoque de açaí no Povoado Km 1700, localizado no sul do Maranhão, cuja principal fonte de renda é gerada pela atividade de extrativismo do açaí. O Povoado Km 1700 possui 287 casas e pouco mais de 500 moradores, chegando ao pico de mais de 1.000 moradores no auge da safra de açaí. Em dezembro de 2021, o Instituto Sunset iniciou a compra do fruto, afirmando sua parceria estabelecida com o Povoado, com a compra garantida da polpa pelo preço de R$ 9,00 por quilo (um valor muito maior do que era vendido anteriormente). Na safra de 2022, a renda média bruta mensal de R$ 2.000,00 por associado passou para R$ 3.600,00 após a parceria.

SONHO PARA O FUTURO: VALORIZAÇÃO DA CULTURA EXTRATIVISTA

Ekles não quer parar por aí. Seu sonho para o futuro é conseguir transformar o Instituto Sunset em uma das maiores organizações de inclusão produtiva do Brasil, atingindo novas comunidades e ajudando a integrar outras cadeias produtivas de frutas no Brasil. O açai é o primeiro passo, mas ele deseja se tornar uma grande referência no Maranhão. Seu objetivo é realizar o mesmo trabalho que será desenvolvido no Povoado Km 1.700 em mais 8 territórios até 2023 e buscar parcerias com organizações da sociedade civil, empresas do terceiro setor, com o poder público e empresas de serviços sociais para que seu sonho se realize.

O ProLíder é uma realização do Instituto Four.