ESCOLA COMUM: ENSINANDO CIDADANIA PARA JOVENS PERIFÉRICOS

A Escola Comum promove a democracia através de uma formação cidadã para jovens de periferias com o objetivo de potencializar seu protagonismo dentro dos seus territórios e de superar coletivamente os desafios estruturais do Brasil, a partir da ótica de quem já viveu na pele esses problemas.

Os jovens de hoje representam um dos mais importantes ativos para a solução dos múltiplos problemas do Brasil. Entretanto, ainda que mantenham expectativas e potencial para serem parte da construção de um futuro melhor, enfrentam uma série de obstáculos para se desenvolverem: são os que mais sofrem com a desigualdade e com a perda de renda nas crises. A vulnerabilidade e o racismo também são limitadores importantes, já que 61% dos jovens se autodeclaram pretos ou pardos (Atlas da Juventude, 2018).

Todo esse cenário se traduz em uma grande desmobilização política e social. Cerca de 70% dos jovens de 15 a 25 anos se consideram pouco ou nada interessados em política, e 93% se dizem insatisfeitos com a democracia (Latinobarometro, 2018).
EDUCAÇÃO POLÍTICA PARA TRANSFORMAR A JUVENTUDE

A partir dessa realidade, e sabendo a importância do jovem como agente transformador, a Escola Comum reuniu um grupo de voluntárias e voluntários com diferentes atuações e trajetórias, mas com um sonho: construir um Brasil sustentável, mais justo, desenvolvido e democrático.

Hoje, o projeto conta com uma estrutura organizacional que vem se consolidando, estrutura de governança e uma rede ativa de 25 voluntários que se dividem em várias funções. Toda essa infraestrutura oferece dois tipos de curso. O curso de longa duração acontece por um ano, por 160 horas, dividido em temas como Direito, Economia, Políticas Públicas e Desafios Contemporâneos. Cada aluno recebe uma bolsa no valor de R$ 200 mensais, além de café da manhã, almoço, vale-transporte e auxílio psicológico. Ao todo, 68 alunos já foram impactados ao longo de 3 anos.
RESULTADOS E SONHO DE FUTURO

Também já foi ofertado um curso de curta duração em 2021 sobre política brasileira, com carga horária de 26 horas, pensando em superar os desafios impostos pela pandemia. 100 alunos de 16 estados diferentes foram impactados recebendo bolsas de 100 reais. Esses alunos tiveram aulas com pessoas como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, e com os ex-ministros Celso Amorim e José Eduardo Cardozo. Ao todo, já foram formados 483 jovens, com taxa de evasão de apenas 15% - e todos os formados compõem a rede alumni da organização.

Os participantes relatam que, a partir da Escola Comum, aprenderam a:
Conhecer a estrutura política do País;
Trocar experiências com pessoas na mesma situação social;
Conhecer direitos e deveres como cidadão;
Entender o valor da educação para um futuro mais promissor;
Rensar as perspectivas de futuro.


VISÃO DE FUTURO: CRESCIMENTO DA ORGANIZAÇÃO PARA CRESCIMENTO DO IMPACTO

O ano de 2021 busca o aumento dos esforços da Escola Comum para se tornar uma organização perene. O lindo trabalho que realiza se tornará ainda melhor com uma estrutura que não dependa apenas de voluntariado.

Além disso, para começar o ano dando um pontapé inicial na captação, a organização realiza a campanha “Escola Comum Avança!”, que objetiva arrecadar 25 mil reais em seu primeiro marco, o suficiente para garantir o pagamento de 13 bolsas-estímulo e permitir que a Escola foque na promoção de suas atividades e seus objetivos para o ano de 2022: aumentar em 50% o número de alunos impactados no curso regular e estabelecer um processo de captação perene com ao menos 2 grandes filantropos.
A CARA DA ESCOLA

A cara da Escola comum é a diversidade. Ela foi formada dentro do ProLíder 2021, pelos participantes Saul Carvalho, Jama Wapichana, Larissa Ferracine, Rafael Lopez, Giancarlo Gama, Luiara Cássia e Graziele Fernandes.

Jama Wapichana é índia, da tribo Wapichana, no Norte de Roraima. Desde muito nova já se via envolvida em projetos sociais, especialmente com a juventude. Tinha pouca formação e muita vontade de trabalhar. Ela, que tem uma história de luta pelo seu povo, especialmente em regiões de garimpo, hoje, encontra nos estudos sua maior arma para lutar contra as desigualdades. Jama vê no terceiro setor uma rica oportunidade de democratizar acessos.

Saul é advogado, graduado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Cearense de nascença, ele sempre foi inconformado com injustiças, situação que o levou à escolha de Direito. Isso foi um  fato inédito na família, pois foi o primeiro deles a quebrar a barreira de acesso e entrar em uma faculdade. Ele entende que na política é onde consegue ser um grande agente de transformação. A Escola Comum exprime seus valores e propósito.

Formada em Comunicação, Larissa seu primeiro emprego foi em uma empresa de tecnologia, mas foi dentro de projetos de diversidade que se encontrou. Trabalhando a temática por onde passou, ela foi ganhando bagagem de metodologia de inclusão dentro de empresas. Ter participado ativamente na campanha política do seu namorado foi o que despertou seu interesse pelo terceiro setor. Uma oportunidade na Fundação Lemann foi a porta de que precisava para conseguir o que queria.

Rafael é um paulista mão na massa, que vem desenvolvendo trabalhos voltados para a cidadania. Mestre em Economia Política Internacional, ele passou para a Vetor Brasil e foi trabalhar com a população carcerária, viu a desigualdade de perto; atualmente está em Jundiaí atuando em políticas públicas, acreditando que o que faz contribui para diminuir as desigualdades, embora não tanto quanto gostaria. Esse inconformismo o levará longe.

Giancarlo foi o terceiro vereador mais votado em sua cidade, logo em sua primeira candidatura. Isso foi motivo de muito orgulho para ele, pois trabalhou em sua campanha dando o seu melhor com o que tinha em mãos, que eram R$400. Viu nas redes sociais uma poderosa aliada. Seu resultado surpreendeu toda a cidade, pois conseguiu ficar à frente de políticos que gastaram R$2 milhões na campanha e que não esperavam um resultado abaixo desse paulista determinado.


Formada em Gestão de Políticas Públicas, Luiara viu na Escola Comum a oportunidade de colocar em prática muito do que vem aprendendo. Muito nova, essa goiana descobriu que era muito boa em solucionar problemas e viu que isso poderia se reverter em um grande benefício para outras pessoas. Além da Escola Comum, ela divide seu tempo laboral com o Ministério Público.

Graziele é graduanda em Engenharia de Produção pela Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Essa catarinense ama impactar vidas. Sempre trabalhou arduamente para alcançar seus objetivos. É com essa determinação que ela engaja seus esforços para fazer a Escola Comum acontecer.


O ProLíder é uma realização do Instituto Four.