ALMA: Tecnologias para ver o que não é visto e auxiliar em processos de saúde

Quem de nós tem a capacidade de sentir a dor do outro; colocar-se no lugar dele, entender o que precisa ser mudado para fazer essa dor cessar e colocar em prática a solução encontrada?

Esse nível de empatia foi encontrado no ProLíder 2020, quando tivemos uma participante com uma alma gigante e empática, que dedica uma parte de sua vida a um propósito, que é buscar soluções tecnológicas para tornar melhor a vida das pessoas que passam por algumas situações traumáticas. Márcia, participante do ProLíder 2020, conciliou a sua paixão por pesquisa e ciência com o empreendedorismo.

Movida por um propósito de contribuir para o avanço da ciência no Brasil, a jovem cientista é uma brasileira brilhante, que busca desenvolver o seu conhecimento em busca de soluções inteligentes para o país.

Não há como pensar na existência de vida humana sem água. Assim, viver uma vida digna é, entre muitas outras possibilidades, ter acesso a água potável.

Como nem todo lugar dispõe desse bem universal, faz parte do desenvolvimento de qualquer nação proporcionar meios para que todo cidadão tenha a sua porção de água.


O Amor pela Pesquisa Científica e o Início da Alma

Grandes soluções podem surgir de pequenas inquietações. Imagine um cenário corriqueiro em um hospital, em que dias e noites passam, mudam-se as pessoas nesse contexto, porém uma das coisas que permanecem por anos a fio é o sofrimento dos pacientes que precisam ser puncionados em suas veias e artérias.

Márcia não tinha noção desse problema, até sua melhor amiga ser mais uma pessoa a passar pelos corredores de um hospital e sofrer dessa angústia. Ela teve seu braço perfurado 14 vezes, até conseguirem coletar o material.

Nossa ProLíder não passou por esse trauma, mas conseguiu se colocar no lugar da amiga e padecer junto com ela. Essa história poderia ter parado por aí, com o final feliz da amiga que melhorou e teve alta, mas uma mente inquieta e uma alma de cientista como a da Márcia tornou o final dessa história diferente.

Ela, que sempre se muito sentiu grata pelo ambiente em que estava inserida no Ensino Médio e Técnico, viu-se rodeada por grandes oportunidades acadêmicas, então, pôde descobrir, desde cedo, o que gostava de fazer.
"A história do Alma começa em 2015. Eu estava no último ano do Ensino Médio e Técnico, e minha escola tinha uma cultura de fazer pesquisa científica. Eu tenho muito orgulho de ter entrado lá. [...] Envolvida com essa vontade de fazer uma pesquisa que pudesse ajudar a vida das pessoas, eu comecei a despertar a curiosidade de envolver eletrônica com biologia."
O próximo passo veio por meio da observação dos seus arredores. Uma das suas melhores amigas, Carolina, foi internada, e precisou ser furada 14 vezes para que pudessem ministrar uma medicação, o que só ocorreu, de fato, no dia seguinte, em vista das tentativas frustradas de punção venosa no dia anterior. O relato de Caroline abriu espaço para nova histórias: desde uma mãe que leva o seu bebê para fazer seu primeiro exame e sofre vendo as tentativas e erros até paciente oncológicos, que necessitavam de quimioterapia 1 vez por semana. Esses relatos reais fizeram Márcia Santos, Felllow ProLíder 2021, estudar a fundo esse problema.

Durante esse período, que foi muito difícil para ela por seu pai estar hospitalizado, ela participava de feiras de ciências ao redor de países como México e Estados Unidos, apoiada por sua escola e impulsionada pela sua capacidade. Aproveitando as oportunidades e “bebendo” do conhecimento que tinha à disposição, Márcia começou a se interessar mais e mais pelo desenvolvimento de um equipamento que pudesse facilitar o processo de visualização de veias, para diminuir a dor de quem passava, diariamente, pelo tipo de problema que a sua melhor amiga teve.

Fascinada pela união de tecnologia com saúde, ela conquistou o quarto lugar na maior feira de ciências do mundo com um projeto voltado para Engenharia Biomédica. Frente à situação do pai, ela viu que apenas fazer parte do desenvolvimento das soluções não garantiria que chegassem a quem precisava, que precisaria estar à frente dessas inovações.


A Descoberta da Solução

Nesse período, ela entrou no curso de Engenharia da Computação na Unisinos e aproveitou as oportunidades de iniciação científica para se aprofundar nos estudos e melhorar seu protótipo, que é um dispositivo que aumenta em 70% a visualização de veias.


"Começamos a fazer pesquisas e testar a nossa solução. Quando eu lembro dessa época, da gente indo para o centro oncológico testar o nosso produto, eu fico muito feliz, pois era uma sensação muito legal de curiosidade. Os pacientes olhavam para a gente e queriam ajudar, com uma cara de felicidade. Era um projeto de pessoas jovens, mas também de gente grande com objetivos grandes. [...] Foi quanto a gente entrou no ProLíder que começamos a dar uma visão de negócios para a Alma. Estudamos mais sobre marketing, como criar a nossa rede, e isso nos deu muito gás para entrar em contato com pessoas do ecossistema. Nos deu muita clareza do que temos que fazer pela frente."


Ao entrar no ProLíder com um protótipo pronto para teste, Márcia e suas sócias - uma delas, inclusive, é a Caroline, sua melhor amiga, que passou pela situação que a inspirou a criar o dispositivo de visualização de veias - começaram a desenvolver outras frentes de trabalho para além do produto.

Tendo se chamado Vênus no início, e voltado para essa solução de coleta venosa, o projeto foi se tornando mais robusto, começando a ser delineado como um empreendimento. Elas aprenderam sobre planejamento financeiro, marketing e outros assuntos para tornar a startup um negócio com propósito. Sem entender o porquê de gostarem do nome Alma, elas o chamaram assim, até entenderem que a conexão com ele estava no propósito que sustentavam. Nas palavras delas, a Alma é “algo que, quando é visto, muda a relação das pessoas para a melhor”. Para elas, a Alma “inspira sensibilidade, empatia e conexão”.

O visualizador de veias é um dispositivo que, através de uma imagem em tempo real, demonstra veias não vistas a olho nu, como um GPS venoso. Através dele, é possível acompanhar o processo de inserção da agulha na veia de maneira a diminuir erros nas primeiras tentativas de punção. O dispositivo é composto por uma câmera especial, desenvolvida pela equipe, que capta o sinal das veias e por uma plataforma móvel que destaca essas veias e as demonstra em tempo real, paralelamente ao procedimento.

Durante a fase de pesquisa do que viria a ser o ALMA, a produção científica da equipe foi reconhecida nacional e internacionalmente. Prêmios da ISEF, da SBPC, o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia, do Instituto Claro e da McKinsey foram formas de mostrar que as jovens cientistas estão no caminho certo.

Agora, os rumos que Márcia tem trilhado é no sentido de continuar desenvolvendo o seu negócio de maneira estruturada. A área de saúde demanda uma série de testes clínicos para que o produto possa ser lançado no mercado, e é isso em que a equipe está focada agora: ter a escala de testes necessárias para poder se lançar. A conexão com o ecossistema empreendedor do Sul do Brasil, cada vez maior, foi muito importante para que a equipe soubesse para onde caminhar.

Um Futuro em que a Ciência Brasileira seja Valorizada

Mais do que desenvolver soluções práticas na área da saúde, Márcia deseja ver isso tudo acontecendo do Brasil para o mundo, coisa de gente conectada com sua alma, que vê que todo processo de mudança começa de dentro para fora, não o inverso.

Ela sonha desenvolver a sua carreira com foco na pesquisa científica e na ciência brasileira. Seu propósito está ligado com a capacidade de fornecer soluções de alto nível para problemas que existem dentro do país, e não apenas importar tecnologia, como normalmente é feito hoje.

"Mais pra frente, eu quero que a gente consiga trazer soluções mais disruptivas para a ciência. A gente tem duas aplicações em mente, que iremos pesquisar e validar. [...] A gente geralmente importa tudo, mas tem algumas características brasileiras que são muito únicas, que a gente precisa começar a desenvolver para resolver esses problemas. A gente precisa de gente de dentro, que resolve os problemas da saúde de dentro e resolve os problemas pensando em soluções daqui".

Dentro de cinco anos, Márcia sonha em se formar em uma das grandes universidades do mundo, fora do Brasil, para trazer o conhecimento para dentro de casa e se tornar uma referência. Seu sonho é empreender e compartilhar o conhecimento científico sendo professora.

Seu futuro brilhante, certamente, trará consigo grandes inovações e desenvolvimento para o Brasil!

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O ProLíder é uma realização do Instituto Four.